sábado, 18 de setembro de 2010

Ser humano...

...Hoje conheci mais um ser humano diferente. Conheci a Vânia. Que doce de pessoa. É uma artista. Na verdade, uma artesã. Comprei alguns de seus trabalhos e ela, demonstrando o quanto amava o que fazia, se ofereceu para enfeitar ainda mais o que já estava lindo e, se eu quisesse depois entregaria no meu hotel. Concordei sem questionar. Achei legal respeitar o lado criativo dela e, além disso, confesso que fiquei curiosa para ver o quanto aquele trabalho poderia seria melhorado (se é que isso era possível). É claro que, depois de algumas horas fiquei me perguntando: "será que ela vem mesmo? sou mais louca do que pensava, pois, como compro algo, pago e aguardo pacientemente que a honestidade de uma estranha me entregue?" Bom, qualquer um poderia achar que é maluquice ou pura burrice mesmo. Acontece que, tem momentos na vida que agente começa a entender que o que importa é o que se sente e não o que se tem de concreto. As vezes, a matéria concreta é irrelevante e, quando passamos a ver a vida por este ângulo, conseguimos também ver algo muito maior do que o bem material. Vemos a pessoa que a faz...
  Estava no banho e o telefone tocou. Era para descer porque a Vânia havia chegado. Fiquei feliz por não ter me enganado. É tão bom poder confiar em alguém sem nem se quer sonhar quem seja ela. Então desci e a encontrei no hall do hotel. Estava sorridente como na feira em que nos conhecemos, mas, estava frágil. Me mostrando seu trabalho toda empolgada e feliz com os elogios que fiz, chorou e se desculpou. Falei que era normal agente ter altos e baixos, não precisava se preocupar. Foi então que falou da sua mãe que havia partido a três anos. Eu também estou com a minha distante a mais ou menos o mesmo tempo. Senti que precisava falar algo para acalentar seu coração. Pedi então, para que não ficasse triste porque as pessoas que amamos de verdade nunca se vão. É apenas alguns momentos distantes porque a morte nada mais que uma porta que divide as pessoas que amamos e que, certamente nos reencontraremos. Ela contou que estava tomando remédios controlados e que não tinha tomado no dia anterior, por isso estava mal. E eu confessei que também fiz tratamentos parecidos. Aliás, ainda faço. Ela me disse que tem medo de perder as pessoas que ama. Estava com um novo namorado e gostando muito, mas, tinha medo que ele enjoasse de estar com uma pessoa com os problemas dela. Então, me restou dizer que agente tem que viver o presente que, um di li não me lembro onde, que se chama PRESENTE exatamente porque Deus fez e nos deu de presente. E não importa se amanhã não haverá namorado ou qualquer pessoa semelhante ao nosso lado. Importa é viver o hoje com a intensidade que ele merece, aos poucos, sem se importar com o amanhã porque não podemos controlar o amanhã...
 Por fim, nos despedimos na frente do hotel quando o seu namorado veio buscá-la. Uma pessoa muito simpática também. O nome dele era Lúcio. Falei que formavam um casal muito bonito e ela me abraçou para se despedir e, é claro, chorou muito. Abraceiá-a e disse que o remédio para dor são os abraços sinceros que recebemos e que era para se abraçarem muito. Peguei o cartão com o telefone e o endereço com seu trabalho para adicioná-lo em meu orkut.
  Sabe Juliet, tem situações que acontecem na vida da gente para que agente possa se ver fora de nós mesmos. Me vi nela e senti o quanto precisava de uma palavra. Apenas uma palavra. Foi gratificante ter me doado naqueles breves minutos, sabe por quê? porque não se precisa de muito para se fazer o bem, basta apenas estar aberta ao ser humano. De igual para igual. Sem precisar nem ao menos se conhecer, se saber quem é.
  Foi algo tão simples que aconteceu, mas, algo que senti vontade de colocar neste mural de sentimos, afinal, fiz o blog com esse intuito. Ai está mais um relato e foi isso que vi e senti. Obrigada!
     
             Alessandravia